sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
A semente no solo do coração
OBJETIVO: Mostrar que existem diversas maneiras de receber a palavra de Deus e a produção de frutos cristãos depende da maneira que recebemos a semente da palavra de Deus e a cultivamos
Junto ao lago estava a bela planície de Genesaré, além se erguiam as colinas, e no sopé do monte, como também no planalto, havia semeadores e ceifeiros trabalhando, uns espalhando a semente e os outros ceifando o cereal maduro. Contemplando esta cena, disse Cristo:
MT 13:8
Este capitulo relata os acontecimentos ocorridos num dia de crise no ministério de Jesus cristo. Oposição crescente dos líderes religiosos acabaria resultando em sua crucificação. ‘’ O que sserá feito do reino sobre o qual temos pregado?
Assim, através desta serie de parábolas Jesus explica a verdade com respeito ao reino.
A missão de Cristo não foi compreendida pelos homens de Seu tempo. A maneira de Sua vinda não estava em harmonia com a expectativa deles. O Senhor Jesus era o fundamento de toda a dispensação judaica. Suas imponentes cerimônias foram ordenados por Deus. Foram designados para ensinar ao povo, que no tempo determinado, viria Aquele ao qual apontavam aquelas cerimônias. Mas os judeus tinham exaltado as formalidades e cerimônias, e perdido de vista seu objetivo. As tradições, máximas e decretos de homens ocultavam-lhes as lições que Deus intencionava comunicar-lhes. Essas máximas e tradições tornaram-se um obstáculo para a sua compreensão e prática da verdadeira religião. E ao vir a realidade, na pessoa de Cristo, não reconheceram nele o cumprimento de todos os símbolos, a substância de todas as sombras. Rejeitaram o antítipo, e apegaram-se a seus tipos e cerimônias inúteis. O Filho do homem viera, mas continuaram pedindo um sinal. À mensagem: "Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos Céus" (Mat. 3:2), respondiam exigindo um milagre. O evangelho de Cristo lhes era uma pedra de tropeço, porque, em vez de um Salvador, pediam um sinal. Esperavam que o Messias provasse Suas reivindicações por vitórias brilhantes, para estabelecer Seu império sobre as ruínas de reinos terrestres. Como resposta a essa expectativa, deu Cristo a parábola do semeador. O reino de Deus não devia prevalecer pela força de armas nem por intervenções violentas, mas pela implantação de um princípio novo no coração dos homens. "O que semeia a boa semente é o Filho do homem." Mat. 13:37. Cristo viera, não como rei, mas como semeador; não para subverter reinos, mas para espalhar a semente; não para levar Seus seguidores a triunfos terrenos e grandezas nacionais, mas para uma colheita que será ganha depois de paciente trabalho, e por perdas e desilusões.
"Eis que o semeador saiu a semear." Mat. 13:3. No oriente tão incertas eram as circunstâncias, e as violências tão grande perigo ocasionavam, que o povo morava principalmente em cidades muradas, e os lavradores saíam diariamente para o trabalho. Assim saiu também Cristo, o Semeador celeste, a semear. Deixou Seu lar seguro e cheio de paz, deixou a glória que possuía junto ao Pai, antes de o mundo existir, deixou Sua posição no trono do Universo. Saiu como homem sofredor e tentado; saiu em solidão para semear em lágrimas e para regar com o próprio sangue a semente da vida para um mundo perdido.
A Palavra de Deus é a semente. Toda semente tem em si um princípio germinativo. Nela está contida a vida da planta. Do mesmo modo há vida na Palavra de Deus. Cristo diz: "As palavras que Eu vos disse são espírito e vida." João 6:63. "Quem ouve a Minha palavra e crê nAquele que Me enviou tem a vida eterna." João 5:24
À Beira do Caminho
A questão de maior importância para vós é: Como tratais Minha mensagem? De vossa aceitação ou rejeição da mesma depende vosso destino eterno.
A semente lançada à beira do caminho representa a Palavra de Deus quando cai no coração de um ouvinte desatento. Como o calcado caminho, pisado pelos pés de homens e animais, é o coração que se torna estrada para o comércio do mundo, seus prazeres e pecados. Absorvido em aspirações egoístas e condescendência pecaminosa, o coração se endurece "pelo engano do pecado". Heb. 3:13. As faculdades espirituais são enfraquecidas. O homem ouve, sim, a Palavra, mas não a entende. Não discerne que ela se aplica a ele próprio. Não reconhece suas necessidades nem seu perigo. Não percebe o amor de Cristo, e passa pela mensagem de Sua graça.
Como os pássaros estão prontos para tirar a semente do caminho, assim também Satanás está atento para tirar da mente os princípios da verdade divina. Teme que a Palavra de Deus possa despertar os negligentes e ter efeito sobre o coração endurecido. Satanás e seus anjos estão nas reuniões onde o evangelho é pregado. Enquanto anjos do Céu se esforçam para impressionar os corações com a Palavra de Deus, o inimigo está alerta para torná-la sem efeito. Com fervor só comparável à sua maldade, procura frustrar a obra do Espírito de Deus. Enquanto Cristo, pelo Seu amor, atrai a alma, Satanás procura desviar a atenção daquele que é movido a buscar o Salvador. Preocupa a mente com projetos mundanos. Instiga como alguma coisa que não lhe diz respeito.
A linguagem do orador ou suas maneiras podem não agradar o ouvinte, e ele se detém sobre esses defeitos. Assim, a verdade de que carecem, e que Deus lhes enviou tão graciosamente, não causa impressão duradoura.
Satanás tem muitos auxiliares. Muitos que se dizem cristãos ajudam o tentador a tirar de outros as sementes da verdade. Muitos que ouvem a pregação da Palavra de Deus fazem-na em casa objeto de crítica. Julgam a pregação, como se estivessem dando opinião sobre um discurso ou a respeito de um orador político. A mensagem que deve ser considerada a Palavra do Senhor para eles, é discutida com comentários frívolos e sarcásticos. O caráter, motivos e atos do pregador como também o procedimento dos membros da congregação são discutidos livremente. Pronuncia-se crítica cruel; calúnias e boatos são repetidos, e tudo isso aos ouvidos de não-conversos.
Muitas vezes essas coisas são faladas pelos pais Ao ouvido dos próprios filhos. Desse modo destrói-se o respeito aos mensageiros de Deus e a reverência à Sua mensagem, e muitos são ensinados a considerar levianamente a própria Palavra de Deus.
Assim, nos lares de professos cristãos são educados muitos jovens de modo a se tornarem incrédulos; e os pais perguntam por que os filhos possuem tão pouco interesse no evangelho e estão tão prontos para duvidar da verdade da Bíblia.
No Pedregal
Quando Mateus ouviu o chamado do Salvador, levantou-se imediatamente, deixou tudo e O seguiu. Deus quer que aceitemos a Palavra divina logo que venha a nosso coração, e é justo que a recebamos com alegria. Haverá "alegria no Céu por um pecador que se arrepende" (Luc. 15:7), e há alegria na alma que crê em Cristo. Mas aqueles de quem se fala na parábola, que aceitam logo a Palavra, não calculam o custo. Não ponderam o que deles exige a Palavra de Deus. Não a confrontam diretamente com todos os seus hábitos de vida e não se submetem completamente à sua direção.
As raízes da planta penetram profundamente no solo, e ocultas a nossos olhos alimentam-lhe a vida. Assim é com os cristãos; a vida espiritual é alimentada pela união invisível da alma com Cristo, mediante a fé. Mas os ouvintes de pedregais confiam em si mesmos, em vez de confiar em Cristo. Depositam sua confiança nas boas obras e bons motivos, e estão fortes em sua própria justiça. Não estão firmes no Senhor e na força de Seu poder. Esse "não tem raiz em si", porque não está ligado a Cristo.
O ardente sol de verão, que fortifica e amadurece o grão sadio, destrói aquele que não tem raízes profundas. Assim o que "não tem raiz em si mesmo; ... é de pouca duração; e, chegada a angústia e a perseguição por causa da Palavra, logo se ofende". Mat. 13:21. Muitos aceitam o evangelho para escapar ao sofrimento e não para serem libertos do pecado. Regozijam-se algum tempo pensando que a religião os livrará de dificuldades e provações. Enquanto a vida decorre suavemente, podem parecer coerentes. Todavia desfalecem sob a ardente prova da tentação. Não podem levar o opróbrio por amor de Cristo. Ofendem-se quando a Palavra de Deus lhes aponta algum pecado acariciado ou exige renúncia e sacrifício Custar-lhes-ia muito esforço fazer mudança radical de vida. Olham as desvantagens e provações presentes e esquecem as realidades eternas.
Entre os Espinhos
A semente do evangelho cai muitas vezes entre espinhos e ervas daninhas; e se não ocorrer uma transformação moral no coração humano, e se não forem abandonados velhos hábitos e práticas da anterior vida pecaminosa, se não forem expelidos da alma os atributos de Satanás, a colheita de trigo será sufocada. Os espinhos serão a colheita, e destruirão o trigo. A graça só pode florescer no coração que está sendo preparado continuamente para as preciosas sementes da verdade. Os espinhos do pecado crescem em qualquer solo; não precisam de cultivo especial; mas a graça necessita ser cultivada cuidadosamente. A sarça e os espinhos estão sempre prontos para germinar, e a obra de purificação precisa avançar continuamente. Se o coração não for guardado sob a direção de Deus, se o Espírito Santo não refinar e enobrecer incessantemente o caráter, revelar-se-ão na vida os velhos costumes. Podem os homens professar crer no evangelho; mas a não ser que sejam por ele santificados,
nada vale sua religião. Se não obtiverem vitória sobre o pecado, este estará obtendo vitória sobre eles. Os espinhos que foram cortados, mas não desarraigados, brotam novamente, até sufocar a alma.
"Os cuidados deste mundo." Mat. 13:22. Nenhuma classe está livre da tentação de cuidados deste mundo. Aos pobres a labuta, privação e temor de pobreza trazem perplexidades e fardos; aos ricos vêm o temor de perda e uma multidão de ansiosas preocupações. Muitos dos seguidores de Cristo esquecem as lições que Ele nos ordenou aprender das flores do campo.
A comunhão com Deus pela oração e pelo estudo de Sua Palavra é negligenciada. Esquecem-se de que Cristo disse: "Sem Mim nada podereis fazer." João 15:5. Caminham separados de Cristo, sua vida não está impregnada de Sua graça, e as características do eu são reveladas. Seu serviço é manchado pelo desejo de supremacia, por traços grosseiros e intratáveis do coração insubmisso. Eis um dos principais segredos do fracasso no trabalho cristão. Essa é a razão por que o sucesso é tantas vezes insatisfatório.
"O engano das riquezas." O amor às riquezas tem poder apaixonante e ilusório. Muitíssimas vezes esquecem os que possuem riquezas mundanas, que é Deus quem lhes dá a capacidade de obter prosperidade. Dizem: "A minha força e a fortaleza de meu braço me adquiriram este poder." Deut. 8:17. Em vez de despertar gratidão para com Deus, as riquezas os levam à exaltação própria.
Em boa Terra
Mat. 13:23. "E a que caiu em boa terra, esses são os que, ouvindo a Palavra, a conservam num coração honesto e bom e dão fruto com perseverança." Luc. 8:15
Quem se rende à convicção do Espírito Santo é o que tem coração honesto. Reconhece sua culpa e sente-se necessitado da misericórdia e do amor de Deus. Tem desejo sincero de conhecer a verdade para obedecer-lhe. O bom coração é um coração crente, que deposita fé na Palavra de Deus. O ouvinte da boa terra recebe a Palavra; "não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade) como Palavra de Deus". I Tess. 2:13. Somente aquele que aceita as Sagradas Escrituras como a voz de Deus que lhe fala, é verdadeiro discípulo. Ele treme por causa da Palavra divina; porque lhe é uma realidade viva.
"E dão fruto." Os que, tendo ouvido a Palavra, a guardam, produzirão fruto pela obediência. Recebida na alma, a Palavra de Deus se manifestará em boas obras. O resultado será visto na vida e caráter semelhantes aos de Cristo
O fruto é a prova da verdadeira salvação(MT 7:16) e inclui santidade(ROM 6:22), caráter cristão(Gal 5:22), prática de boas obras(CL 1:10), testemunho cristão(Rom.6:22), disposição de compartilhar os bens(ROM 15:25-28) e louvor a Deus (Hb 13:15). A fim de produzir frutos.
RESUMO
Através da parábola do semeador, Cristo descreve os diversos resultados da semeadura como dependentes do solo. Desta maneira nos ensina que se a Palavra de Deus não executar a sua obra em nosso coração e vida, devemos em nós mesmos procurar a razão disto.
Eles mesmos são responsáveis pelo endurecimento do coração, que impede a boa semente de enraizar-se, e pelas ervas daninhas que lhe reprimem o desenvolvimento.
O jardim do coração precisa ser cultivado. Precisa o solo ser sulcado por profundo arrependimento. As plantas venenosas e diabólicas devem ser arrancadas. O terreno, uma vez coberto de espinhos, só pode ser reconquistado por diligente trabalho. Assim, as más tendências do coração natural só podem ser vencidas por sincero esforço em nome de Jesus e por Sua virtude.
"Lavrai para vós o campo de lavoura e não semeeis entre espinhos." Jer. 4:3. "Semeai para vós em justiça, ceifai segundo a misericórdia." Osé. 10:12
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